Negação das Mudanças Climáticas no Brasil: Uma Tradução

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Esta é uma tradução do programa "Programa do Jô" da Globo , exibido em 2 de maio de 2012 , uma entrevista de meia hora com o geógrafo cético em relação ao clima, Ricardo Augusto Felício, sobre o aquecimento global. Só no YouTube, a entrevista tem quase 700,000 mil visualizações; no Brasil, a Globo é uma emissora de televisão dominante . Vídeo original aqui.

Traduzido por Beatriz Vianna, doutoranda em biologia na Universidade da Virgínia Ocidental, originária do Brasil.

Jo Soares: Hoje também vamos falar sobre aquecimento global! Com um climatologista que diz que o aquecimento global é uma grande bobagem [Piada intraduzível]. Vou conversar com Ricardo Felicio…vem cá!

[Música]

Jo Soares: Então, você é professor do departamento de geografia da USP [Universidade de São Paulo]. E o que você estuda especificamente – climatologia, certo?

Ricardo Augusto Felicio: Climatologia antártica, a partir do continente antártico, há 20 anos.

Jo Soares: Apenas o continente antártico?

Ricardo Augusto Felicio: Sim, essa é a minha área de especialização, mas as outras também… não tem como separar (risos).

Jo Soares: Claro! E você já esteve na Antártida algumas vezes…

RAF : Já foi duas vezes.

JS : O que você acha da teoria do aquecimento global – de que o gelo do continente [Antártica] está derretendo?

RAF : Sim, para começar, isso nem sequer é uma teoria, é uma hipótese. Não precisa de comprovação científica. Não existe comprovação científica do aquecimento global. Essa "história" existe há 26 anos — na verdade, há cerca de 3,000 anos. Nossos pesquisadores da equipe Climageo investigaram essas informações. Isso já era debatido pelos antigos gregos: "Se as árvores fossem cortadas, o clima do planeta mudaria..."

JS : Então a Grécia Antiga já falava sobre isso?

RAF : Sim! O Senado Romano discutia sobre a construção ou não dos aquedutos porque eles alterariam o clima... e assim por diante. Ainda temos essa mesma velha história: "o clima vai mudar... o clima vai mudar... Os homens estão alterando o planeta". Não, nós não alteramos nada!

JS : Interessante, mas existem exemplos de civilizações, não sei se incas ou astecas, que desmatavam a floresta para usar a madeira, inclusive queimando-a para aquecimento, e quando restavam poucas árvores, a floresta era dizimada e a civilização começava a declinar... então não há uma relação aí? Se você destrói uma área, não haveria consequências?

RAF : Não, é preciso ter muito cuidado com isso, porque essas foram ações locais, não ações planetárias…

JS : Mas uma ação local não seria um problema?

RAF : Não, uma ação local é realmente pequena. A cidade de São Paulo cria seu microclima, por exemplo. No entanto, o clima global é outra coisa. Então, a alegação dessas pessoas é que “a cidade altera o clima do planeta, portanto, a cidade precisa se adaptar à mudança climática que ela mesma causa”... então espere, é um argumento circular!

JS : Então, isso significa que a água... ou o gelo não está derretendo por lá?

RAF : Não, o gelo derrete e congela novamente. É um ciclo bem conhecido. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial . Primeiro, o cenário de guerra era o cenário polar – estamos acostumados a ver o mundo em um plano esférico e pensar que os EUA estão aqui, a Rússia do outro lado, e que eles se matarão lançando mísseis através do Atlântico! Não, eles se atacarão no topo do polo… porque, na verdade, estão muito próximos um do outro. Portanto, o conhecimento sobre o gelo era algo bem conhecido durante a era militar.

Durante o Ano Geofísico Internacional, de 1957 a 1958 – prorrogado até 1959 – a primeira missão americana foi cruzar o Polo Norte e posicionar um submarino nuclear em sua base. Foi o submarino Nautilus que, em 57, conseguiu atravessar todo o Polo Norte, e o submarino Skate que conseguiu abrir um buraco no gelo. Isso significa que eles já sabiam exatamente onde estavam as aberturas no Ártico, o que lhes permitiu posicionar os canhões nucleares ali. Portanto, o clima e as forças armadas sempre estiveram intimamente ligados.

JS : Tudo está caminhando junto com os militares (risos). Ok, e quanto ao nível do mar, não está subindo a cada ano?

RAF : Não, o nível do mar continua no mesmo lugar!

JS : Mas essa “história” está por aí…

RAF : Sim, também existe esse "conto de fadas": "Ah, as calotas polares estão derretendo". Se algo fosse derreter, seria a Antártida... nesse caso, sim, haveria um aumento considerável no nível do mar! Mas para derreter a Antártida, sejamos realistas, a temperatura teria que subir uns 20 a 30 °C.

JS : Ok, mas as medições do nível do mar... está subindo?

RAF : Existem pequenas variações. O El Niño, por exemplo, que é um fenômeno natural, por si só, causa uma variação de meio metro no nível do mar. Então, os piores cenários do IPCC são de apenas 50 cm!

JS : Em quanto tempo?

RAF : Daqui a 100 anos!

JS : Mas não existe uma medição feita pelo Capitão Cook?

RAF : Sim.

JS : Quando foi feito?

RAF : 1780... eu acho.

JS : E desde então até agora…

RAF : Fica no mesmo lugar. O nível do mar é o mesmo.

JS : Ah! Estou aliviado agora (risos).

RAF : Então, aconteceu uma situação engraçada... Fui fechar minha conta bancária e me perguntaram: "O que você faz da vida?", e eu respondi: "Sou professor de climatologia". Aí o atendente disse: "Nossa! O mundo vai acabar?". E eu fiquei tipo: "Nossa!". Então, as pessoas estão com medo de que o mundo vá acabar.

JS : Sim, Mariana [pessoa na plateia] estava extremamente preocupada; na verdade, hoje em dia ela cobre todos os espelhos para não ter que ver o reflexo do aquecimento global.

RAF : Sim, o aquecimento global se tornou o bode expiatório para todos os problemas da humanidade.

JS : Falando em aquecimento global, que tal... não é a calota polar... O que é? Que tal o efeito estufa?

RAF : Sim. Este é o pior de todos! Isto é física impossível…

JS : Oh! Estou tão feliz hoje. Então, o fim do mundo em 2012... deixa pra lá, né?

RAF : De jeito nenhum!

JS : Então, vamos falar sobre o efeito estufa... o que é isso?

RAF : O efeito estufa é a maior falácia científica da história. Primeiro, porque se baseia em um conceito científico que não existe! A Terra tem essa temperatura por causa de sua atmosfera, que recebe energia do Sol... há uma interação entre a energia solar e a atmosfera, e com base nas leis dos gases — observe, não é uma teoria, são as leis dos gases — pressão, temperatura e volume! Então, por ter uma atmosfera, ela tem essa temperatura!

Ah… Adoro esta discussão porque os aquecimentistas [pessoas que apoiam a “teoria” do aquecimento global] dizem: “O melhor exemplo de que o CO2 pode destruir o planeta Terra está em Vênus!” Aí eu digo: “Ah, é mesmo?” E eles respondem: “Sim!” Então eu pergunto: “Ok, qual é a pressão atmosférica de Vênus?” Eles dizem: “Não sei.” Eu digo: “Sim, é 90 vezes a pressão atmosférica da Terra!” Portanto, a temperatura lá (em Vênus) é de 400 graus na superfície, não por causa do CO2 , mas por causa da pressão atmosférica da atmosfera de Vênus.

JS : E Vênus também tem o problema da "camisa de Vênus", certo? ["Camisa de Vênus", o termo português antigo para "camisinha"] Então deve haver alguma influência nisso (risos). Então, você está dizendo que não existe efeito estufa?

RAF : Não! Essa física não existe!

JS : E quanto aos gases intestinais das cabras da Nova Zelândia? Você já ouviu falar?

RAF : Sim…

JS : É uma quantidade tão grande de gases que vai causar o apocalipse, explodir a camada de ozono... não, qual é o nome mesmo... explodir a famosa camada de ozono.

RAF : O que não existe – a camada de ozono é algo que não existe!

JS : Não existe?

RAF : Não.

JS : Nossa … Estou tão aliviada hoje!!! Então você está dizendo que as cabras podem ficar relaxadas… Ouvi dizer que alguns fazendeiros estão ensinando suas cabras a segurar… Elas podem soltar [as cabras podem peidar]!

RAF : A história do ozônio é conhecida pelos cientistas sérios – não por esses vendidos, os chamados "placas brancas", que trabalham para o governo, grandes empresas, etc. [Placas brancas são usadas em carros oficiais do governo no Brasil] – cientistas sérios... O pai disso foi Dobson, que, durante o Ano Geofísico Internacional, foi à Antártida para descobrir a variação do ozônio nas calotas polares. Ele já sabia que o ozônio desaparecia completamente na Antártida. E desde então, as pessoas omitiram essa informação propositalmente e agora dizem que o seu desodorante é o que está destruindo a camada de ozônio!

JS : Nossa, agora se eu estiver perto de alguém com mau cheiro , não vou me sentir mal em dizer para essa pessoa usar desodorante.

RAF : Então, o que aconteceu foi a expiração das patentes dos CFCs . Em 1987, as patentes começaram a expirar – tornaram-se públicas e não era mais preciso pagar royalties! A indústria detentora dessas patentes lançou um produto substituto, chamado HCFC , que é um organofluoreto como qualquer outro, mas custa… O CFC começou a custar US$ 1.38/kg, enquanto o HCFC custava US$ 38/kg… mas a grande vantagem é que o HCFC não funciona em geladeiras ou condicionadores de ar antigos… então todo mundo teve que jogar seus aparelhos fora e comprar novos! Hoje em dia, as patentes expiram a cada 25 anos, então agora o “novo discurso” é que descobriram, milagrosamente, que os HCFCs também são perigosos para a camada de ozônio e causam o aquecimento global!

JS : Hahaha… que alívio sentimos agora…

RAF : A melhor opção agora é o substituto que as empresas garantem que não causará problemas... hum hum... US$ 128/kg! E também não funciona em equipamentos mais antigos...

JS : Então, eles sempre têm esse truque…

RAF : Mas, se você observar, não se trata apenas de mudar o gás refrigerante. Parques industriais inteiros precisam ser alterados por causa de seus sistemas centrais de refrigeração, etc. Mas, se você reparar, todos os produtos estão voltando a usar butano. O CFC surgiu no final dos anos 40 e 50 para resolver o problema do gás butano – altamente explosivo, fábricas explodiam – o CFC é um gás inerte, não há problema com ele! Então, hoje em dia, estamos retrocedendo, voltando ao início do século XX , tudo por causa de uma mentira que diz que o CFC destrói a camada de ozônio.

JS : Qual é o gás que destrói a camada de ozono?

RAF : A hipótese, e repito, é uma hipótese que nunca foi comprovada, é que os CFCs podem destruir a camada de ozono. O butano não!

JS : Então o butano é isento de impostos?

RAF : Sim, o butano está bom até que encontrem algum problema com ele.

JS : Ricardo, há algo que sempre me chama a atenção: toda vez que vemos um anúncio sobre um fenômeno, seja astronômico, como a queda de um meteoro, ou geográfico ou físico, é sempre algo como: "A temperatura atingiu tantos graus, e isso não acontecia desde 1920"... "A nevasca deste ano não era vista desde 1887". Então, é como se o fenômeno anterior fosse sempre pior?

RAF : Sim... muito pior!

JS : Então, por que exagerar e achar que a próxima catástrofe seria a pior? Se isso nunca acontecer?

RAF : Os dados paleoclimáticos mostram coisas muito piores, por exemplo, o nível do mar subindo 50 metros em 100 anos – a temperatura subiu 8 graus em 50 anos! E as pessoas falando em um aumento de meio grau em 100 anos?! Isso é uma piada! Isso é uma piada!

JS : Já temos perguntas da plateia…

Pergunta da plateia 1: Você disse que o aquecimento global não existe, mas meu pai e outras pessoas mais velhas que conheço dizem que São Paulo, durante as décadas de 60 e 70, era conhecida como a "terra da garoa" porque fazia muito frio, e hoje em dia você percebe que no verão faz um calor insuportável. Você pode nos explicar isso?

RAF : Sim, este é o efeito do clima em nível local. Não é um efeito global. No caso da garoa, por exemplo, fizemos um estudo científico em 2009-2010 que mostrou que, nos últimos três anos, a garoa voltou com a mesma intensidade que tinha nas décadas de 1930 e 1940. Portanto, na verdade, a garoa também é um fenômeno cíclico. O que falta hoje em dia é a observação – temos poucas observações dos fenômenos climáticos dentro da cidade… em geral, também temos poucas observações… na década de 1990, todas as estações meteorológicas foram fechadas em todo o mundo. Nosso próprio presidente na época, Collor de Melo, fechou várias estações meteorológicas aqui no Brasil. Então, carecemos de muita informação meteorológica “in loco”. Existem medições, mas sempre há algum problema com elas… metodológico ou algo do tipo.

JS : E quanto à influência do desmatamento no clima global?

RAF : Não existe! Infelizmente, não existe.

JS : Não é?!

RAF : Não!

JS : E quanto ao clima local?

RAF : Mais ou menos. Sim, isso é outra coisa que as pessoas não sabem.

JS : Então a Amazônia não é o pulmão do mundo?

RAF : Não... nunca foi! (risos) Nunca foi... essa teoria já caiu por terra nos anos 80.

JS : A Amazônia nem sequer é a pleura?

RAF : Não.

JS : Vou continuar a conversa no próximo quarteirão…

[Anúncios comerciais]

JS : Tenho aqui o professor [ RAF ], climatologista, estávamos conversando e terminamos o último bloco falando sobre o fato de que a Amazônia não é o pulmão do mundo! E o desmatamento não tem influência no clima?

RAF : Tenho que ter cuidado com essa declaração, porque quando digo isso, as pessoas podem pensar que estou autorizando a destruição da floresta!

JS : Não... de jeito nenhum.

RAF : Não, mas temos que ter cuidado porque essa é a desculpa que os ambientalistas usam contra as pessoas que negam o aquecimento global. Então eles enganam as pessoas dizendo: “Ah… viu só! Aquele cara está nos autorizando a destruir a floresta!”

JS : Não, a floresta amazônica não deve ser destruída... na verdade, acho que nem é possível destruí-la... porque grande parte da floresta está plantada debaixo d'água, certo?

RAF : Sim, há 6000 km desse novo aquífero que descobriram no subsolo... é maior que o aquífero Guarani! Descoberto recentemente!

JS : Não faço ideia do que seja isso… mas pode ser extremamente importante! (risos) E quanto àquela coisa, a floresta tropical… o que é aquilo?

RAF : Sim, na verdade é assim... precisamos entender que os oceanos controlam o planeta! E os continentes existem por acaso! Três quartos da superfície do planeta são água, então a maior parte da troca de energia e massa com a atmosfera ocorre nos oceanos. Então, às vezes eles [os oceanos] se sentem mal pelos continentes, certo? Eles pensam: "Ah, coitadinhos dos pedaços de terra... vamos mandar um pouquinho de água para eles!" E esse "vamos mandar um pouquinho de água para eles" causa todos os desastres que já vimos.

A principal fonte de água que entra nos continentes vem da região tropical, através dos ventos alísios – aprendemos muito sobre isso na escola! [Nome inaudível] foi um dos pioneiros no estudo da climatologia, entre os séculos XVIII e XIX . Ao iniciar seus estudos, ele se perguntava: "Como vou estudar o clima, se a atmosfera é algo invisível e altamente dinâmico?". Então, ele não conseguia fazer nada. Foi então que ele constatou que a vegetação respondia ao clima. Ele pensou: "Que interessante! Toda essa região do planeta, com algumas exceções, possui florestas deslumbrantes – enormes – e é exatamente onde chove muito." É onde se formam as principais "células de tempestade". Os trovões fixam o nitrogênio da chuva, lançando-o na superfície, o que cria uma simbiose nos fenômenos atmosféricos. Assim, as florestas – aliás, o nome técnico dessas florestas em inglês é "florestas tropicais", que significa floresta de chuva! Sim, a floresta está lá porque chove... e não "chove porque existe floresta"! Entendeu?

JS : [Risos]

RAF : Então, isso significa que se você cortar... vamos imaginar uma situação hipotética, já que eles adoram fazer isso – vamos fazer também! Digamos que retiremos toda a Amazônia do lugar onde está... retiramos tudo! Daqui a 20 anos, tudo estará crescendo novamente!

JS : [Cara triste] Mas isso leva 20 anos…

RA : É, isso não é nada na história do planeta!

JS : É… isso não é nada! Quem queria fazer uma pergunta?

Pergunta da plateia 2: Vocês conseguem me ouvir aí? [risos] Sou estudante da USP e gostaria de saber sobre a Rio+20, que virá aqui para discutir sustentabilidade. Se a reação eutrófica quase não tem nada a ver com o aquecimento global, o buraco na camada de ozônio e o efeito estufa… então o que eles vão discutir na Rio+20?

RAF : Eles vão discutir como manter suas colônias sob controle! Ok, vejamos, 1492... eles chegaram aqui e nos convenceram de que precisávamos de espelhos para sobreviver! 1992, exatamente 500 anos depois, eles vêm com a "história" do Rio, toda aquela baboseira... o mundo está acabando... e por aí vai! Existem alguns fatos precedentes sobre isso, em 1980 começou com o "conto de fadas" da camada de ozônio... 1987 foi formado o primeiro painel intergovernamental ( IOTP ) para a camada de ozônio... '87!

Em 88, o IPCC , o painel sobre mudanças climáticas… 89, a queda do Muro de Berlim! Então você pode pensar, o que isso tem a ver com alguma coisa… com tudo! É o sistema capitalista se expandindo… e quando isso aconteceu, metade dos cientistas do mundo trabalhava para a Guerra Fria, então a vida fácil acabou ! Se você pesquisar, os cientistas que trabalham para o aquecimento global hoje são os mesmos que trabalharam para todos os desastres atômicos, etc! Então, o que esses cientistas fizeram? Cenários/previsões computacionais, programação e previsão: “Veja, se você jogar uma bomba nuclear aqui… isso acontece!” Então eles simplesmente mudaram algo chamado Guerra Termonuclear Global para Aquecimento Global!

JS : Alguém mais tem uma pergunta…

Pergunta da plateia 3 : Ele estava falando sobre o nível do mar e é possível notar, não em toda a costa, mas em alguns lugares, que quem morava ali não mora mais – algumas estradas não existem mais, e não é como se a água tivesse voltado, o mar tivesse tomado conta. Parece que a linha costeira está recuando para o interior… então, por que isso acontece?

RAF : Este é um fenômeno já estudado em geomorfologia, chamado agradação e degradação . Usamos a palavra "degradação" pensando: "Ah, estamos destruindo o planeta!". Mas não, o planeta se move por si só! Ele muda de forma, então o mar também passa por esse processo de agradação [formação de praias] e degradação [remoção de praias existentes]. Este é outro processo natural.

JS : E quando há um atero [ponte terrestre artificial que liga duas ilhas]? Essa água vaza para algum outro lugar?

RAF : Não!

[Conversa cruzada]

JS : O que aconteceu… Alex… foi você? O que está acontecendo lá?

Alex: Nada por aqui, Sr. Jo… talvez estivesse lá atrás! (Risos)

JS : Já está meio tarde... ele está arrumando as coisas para ir embora... eu já te disse para não fazer isso.

Alex: Estou prestando atenção…

[ Fim da conversa cruzada]

JS : Enfim, desculpe… Esse cenário que eu criei aqui, que é completamente infantil, quando você cria um aterro , o mar não se expande em outra direção, em outro lugar?

RAF : A área é minúscula.

JS : Não há efeito?

RAF : Não.

JS : Estou aqui com Juca de Oliveira com uma teoria fascinante. Vamos ver o que o Dr. Ricardo tem a dizer…

Juca de Oliveira : Ricardo, a grande exploração de petróleo no fundo do mar – o “pré-sal” – é feita drenando a água do mar, água salgada, para trazer à superfície o petróleo, que é mais leve. O petróleo é o isolante térmico perfeito, enquanto a água salgada, por outro lado, é o condutor térmico perfeito. Então, é claro que o calor do núcleo da Terra sobe pelas rochas, aquece tudo e causa enormes deslizamentos de terra e tsunamis gigantescos que farão as cidades costeiras desaparecerem… Esse procedimento (pré-sal) não é uma estupidez? Aliás, já que você é contra o Código Florestal Brasileiro… você está do lado da “bancada ruralista” [grupo no parlamento que apoia os interesses rurais]?

JS : (risos) Ah, Ricardo, comece a responder a partir da última pergunta…

RAF : Em primeiro lugar, não sou contra o Código Florestal Brasileiro... não me meto com isso... e em segundo lugar, não tenho nada a ver com a bancada ruralista ! Portanto, não faço ideia de onde ele tirou essa informação sobre mim.

JS : Acho que isso foi uma pequena provocação... mas e a outra teoria?

RAF : Bem, sobre isso eu não tenho conhecimento para dizer nada, você teria que perguntar a um…

JS : [Interrompe] Mas será possível?

RAF : Não… 99% da energia da Terra vem do Sol. 99… 99.999%, na verdade. A energia geotérmica é insignificante em relação à situação geográfica [não está claro o que ele está dizendo]…

JS : Sim, mas quero dizer, localmente, não consegui…

RAF : Não. O Sol, por exemplo, é uma constante – Galileu, por exemplo, quase foi queimado vivo porque encontrou manchas no Sol. O Sol tem seu ciclo, o mais importante é o de 11 anos, em que a atividade aumenta e diminui, algo como 4 anos com atividade aumentada e 7 anos com atividade decrescente. E existem outros ciclos… um de 90 anos… alguns de 200! Agora, por exemplo, estamos entrando em um período mais calmo que vai até 2046, então se você está pensando que teremos aquecimento global… não! Na verdade, teremos um resfriamento, que vem acontecendo desde 2008.

JS : O quê? O resfriamento?

RAF : Sim... as temperaturas estão de fato diminuindo.

JS : E o sol tem uma grande influência em nosso clima.

RAF : Totalmente… 100%. Depois temos a Lua, um pouco de Júpiter, um pouco de Saturno influenciando os campos gravitacionais, mas o resto será o Sol na primeira escala, a segunda escala são os vulcões e os oceanos na terceira escala.

JS : Os vulcões! Então isso tem alguma relação com a teoria de Juca? Que o aquecimento da água salgada, que em geral é um ótimo condutor, aquece e depois causa um tsunami?

RAF : Os vulcões têm um efeito oposto, uma resposta negativa. Os vulcões lançam suas cinzas vulcânicas na estratosfera, que é a segunda camada principal da atmosfera, e essa cobertura impede que a energia solar chegue à superfície. Portanto, em geral, atividades vulcânicas intensas levam a verões e invernos mais frios. Foi um caso marcante em Krakatoa; não houve verão no ano seguinte à atividade vulcânica, devido à grande quantidade de cinzas vulcânicas liberadas na estratosfera.

JS : Veja bem... graças a Deus não temos regiões com grandes vulcões por aqui!

RAF : Mas não importa onde eles estejam. O vulcão do Chile entrou em erupção no final do ano e afetou até mesmo os estados do sul.

JS : E quanto ao El Niño, que você mencionou antes…

RAF : Sim, o El Niño é um fenômeno muito interessante; totalmente desconhecido, muito complexo… é um fenômeno de alta frequência, às vezes dura de 4 a 5 meses, depois desaparece por 15 meses. É polarizado… existe o El Niño e a La Niña, às vezes estamos no estado intermediário.

JS : La Niña também?

RAF : Existe também o La Niña. E ambos estão relacionados a outro fenômeno chamado Oscilação Decadal do Pacífico… este é um fenômeno mais antigo. Foi descoberto por acaso enquanto alguém pescava no Pacífico e os peixes desapareceram por um tempo, e então, de repente, apareceram em abundância. Perceberam que isso estava relacionado à temperatura da superfície do oceano. O Pacífico tem uma polaridade… mais frio/mais quente, muito próxima da oscilação solar. Tinha que ser, certo? Sempre nos esquecemos de que o Pacífico tem 1/3 do tamanho da Terra. Um terço do tamanho da Terra é o Pacífico!

JS : Bem, acho que vamos dormir melhor ou pior depois desta conversa com o RA . Professor, muito obrigado pela sua presença e obrigado a todos!

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